Momento Um

•Março 26, 2009 • 10 comentários

Falta-me tempo para ter tempo de pensar em algo que não seja a falta de tempo do dia-a-dia.

Dia-a-dia

•Março 7, 2009 • 6 comentários

O inesperado é algo que me fascina. A cada esquina podemos tropeçar numa imagem, numa situação, numa pessoa, num contexto, numa fotografia realmente bonita, fascinante e inesperada.

Este é o mistério da vida e não existe nada melhor. Cada vez acredito menos em coincidências.

Os Nossos Eus

•Março 4, 2009 • 2 comentários

“Esses eus de que somos feitos, sobrepostos como pratos empilhados nas mãos de um empregado de mesa, têm outros vínculos, outras simpatias, pequenas constituições e direitos próprios – chamem-lhes o que quiserem (e muitas destas coisas nem sequer têm nome) – de modo que um deles só comparece se chover, outro só numa sala de cortinados verdes, outro se Mrs. Jones não estiver presente, outro ainda se se lhe prometer um copo de vinho – e assim por diante; pois cada indivíduo poderá multiplicar, a partir da sua experiência pessoal, os diversos compromissos que os seus diversos eus estabelecerem consigo – e alguns são demasiado absurdos e ridículos para figurarem numa obra impressa”.

Virginia Woolf, in “Orlando”

Cócegas Cerebrais

•Fevereiro 27, 2009 • 1 Comentário

A expectativa era grande. Nunca o tinha visto no Coliseu. Apenas no Sudoeste, no Verão passado.

Claro está que Nitin Sawhney não é para se ouvir num festival de Verão. Não, nada disso. O som perde-se por entre o vento, as pessoas estão demasiado distraídas e desconcentradas. A conversa com os amigos entremeada com um ou dois golos de cerveja torna a música deste senhor num acontecimento banal, como se estivessemos num qualquer bairro do Bairro Alto a ouvir um CD. Perde-se a magia, perde-se a mística.

Mas terça-feira tudo foi diferente.

Largas centenas  (alguns miilhares?) de pessoas, no mítico Coliseu de Lisboa, reunidas com o único propósito de saborear um concerto de Nitin Sawhney é diferente. Foi diferente.

Realmente há coisas fantásticas, lá diz a publicidade.

Este concerto foi mesmo muito bom. Arrepiei-me ao ouvi-los tocar e cantar, o que é coisa rara de acontecer. Obrigada.

O prazer das Pequenas coisas

•Fevereiro 15, 2009 • 2 comentários

Hoje foi dia de passear. É sempre muito reconfortante. Provavelmente mais para mim do que para eles. Falta a Mafalda…não gosta de fotos 🙂

Arthur

Arthur

Sawyer

A realidade é, realmente, complexa.

•Janeiro 28, 2009 • 6 comentários

Uma conversa, ontem, entre amigos, fez-me pensar.

A realidade das coisas. A realidade dos momentos. A realidade. Existe? É universal?  É única? É verdadeira? É imparcial?

realidades

Não, não é (digo eu, claro). A realidade é algo fragmentado. Cada um de nós tem um bocadinho dela e por isso vemos as coisas de acordo com a nossa perspectiva, de acordo com a nossa experiência, de acordo com a nossa maneira muito própria de construir a NOSSA realidade.

Torna-se então evidente que entrar em conflito com a realidade alheia não é solução.  Que tal tentarmos juntar as peças do puzzle? Fica a sugestão.

Ainda bem que há quem defenda as minorias!

•Janeiro 25, 2009 • Deixe um Comentário

“Sabe…agora lembraram-se de dar mais 50 licenças com carros adaptados para pessoas com mobilidade reduzida. Ora já somos quase quatro mil táxis em Lisboa, mais do que a conta, e agora mais 50 não faz sentido nenhum…

Os deficientes não andam assim tanto de táxi para que se justifique mais 50 carros na praça. Os carros normais davam perfeitamente. No meu táxi já levei muitas pessoas em cadeira de rodas e dá perfeitamente. Só aquelas pessoas que andam em cadeiras de rodas eléctricas é que não dá…mas também quem é que usa essas cadeiras? Quase ninguém…
Para além do mais, esses carros adaptados vão ser muito desagradáveis para as pessoas normais…vai ser como quando nós vamos às casas de banho para pessoas deficientes (risos), é assim um bocado esquisito.

Eu acho que esta nova ideia que “eles” tiveram não tem lógica nenhuma, mas pronto eles não percebem nada do que andam a fazer…e depois ainda dizem que há crise!
Foi como quando o Santana Lopes foi presidente da Câmara. Lembrou-se de pôr 20 carrinhas GRATUITAS nos bairros velhos da cidade para levar os reformados. Agora quantas existem??? UMA…só UMA. E porquê? Porque claro que não se justifica haver transportes gratuitos para passear meia dúzia de velhos!”

É certo que uma viagem de táxi é sempre uma aventura. Nunca sabemos quem ou o quê vamos encontrar do lado de dentro da porta. É sempre um admirável mundo novo que não pára de me surpreender.
Este senhor, de ideias fortes e consistentes, era bastante persuasivo.
Confesso que quase me convenceu que realmente os “velhos” e os “deficientes” praticamente não existem neste nosso belo país à beira-mar plantado. Aliás são tão poucos que, obviamente, não se justifica que a vida lhes seja facilitada.
Felizmente a minha viagem acabou a tempo de eu conseguir manter o meu espírito critico e a minha sanidade mental para não acabar a noite numa qualquer esquadra, acusada de ter espancado violentamente um taxista.

Cada vez mais concordo com a célebre frase de Einstein: “Apenas existem duas coisas infinitas: O Universo e a estupidez humana. E mesmo assim não estou bem certo em relação à primeira”. Palavras para quê?